Gestão de acervos bibliográficos especiais: uma necessidade?

Thiago Cirne

Diante de um elevado fluxo informacional, preconizado por Bradford através da Teoria do Caos Documentário, os profissionais gestores de informação têm, muitas vezes, a sensação de que não há tempo suficiente que lhes permita atribuir a devida atenção ao acervo retrospectivo de suas unidades. Para isso, é possível, para não dizer razoável, citar dezenas de motivos os quais justificam tal postura. Escassez de pessoal especializado, baixa demanda pelos documentos, condições físicas – muitas vezes precárias – dos suportes, etc. O resultado, como não poderia ser diferente, é o direcionamento dos esforços para que aquilo recém-publicado (ou tão somente recém-incorporado ao acervo) seja, em tempo, processado tecnicamente.

Talvez a grande questão que motive as discussões sobre o eixo gestão de acervos especiais seja o fato de que um número incalculável destes documentos represente, dentre várias, duas facetas a serem destacadas. Primeiramente, configuram-se como objetos de arte. Seja a arte da escrita (copistas), encadernação, douração, impressão, fabricação artesanal de papel, gravura, ou outra relacionada à construção histórica do livro. Em segundo lugar, o aspecto cultural/histórico desses materiais enquanto fonte de pesquisa.

Gestão de Acervos Especiais em discussão (Imagem: Google)

Imagine-se o valor simbólico das incontáveis páginas de registros históricos quase que inexplorados; pensemos no quanto de ciência talvez (vamos brincar com essa possibilidade) não tenha alcançado a divulgação necessária, fosse pelas limitações inerentes à época, fosse pela existência de acervos velados ao acesso.

Existem diversos motivos que justificam o desenvolvimento de práticas biblioteconômicas condizentes com a relevância de cada segmento, coleção, “artéria” que compõe o organismo biblioteca. A gestão de coleções especiais significa a possibilidade de se deparar com um universo, quem sabe, desconhecido ou pouco explorado. Um momento raro como o número 1 de uma primeira tiragem limitadíssima e luxuosa; único como só a Biblioteconomia pode oferecer; precioso como a abertura de um baú, há muito escondido.

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