I FOLIAR apresenta avanços, necessidades e otimismo

I Fórum Internacional sobre Livros Antigos, Raros e Especiais mostra o desenvolvimento da Biblioteconomia especializada. Próxima edição já entra em pauta.

RIO – Quando o professor e pesquisador Fabiano Cataldo proferiu as palavras finais em agradecimento ao público, no auditório Vera Janacopulos, toda a organização do I FOLIAR mostrava-se satisfeita pelos resultados. “Estamos felizes. Não poderíamos deixar de dividir esse evento com os senhores”, disse Cataldo.

Coube à Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (UNIRIO), o pontapé incial para o estabelecimento de um Fórum Internacional, cujo objetivo é debater e articular ações no universo do Livro Raro e das coleções especiais. O termo “universo” não é exagero, pois a evolução apresentada nos últimos anos e ratificada pelos profissionais gestores, através de 16 palestras, deixou claro que muito se fez, mas ainda há muito a ser feito.

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FOLIAR reuniu especialistas em acervos especiais (Foto: Alceu Guilhen)

O interesse pela memória registrada e sua salvaguarda mostra-se em números. Mais de 120 participantes acompanharam atentamente as palestras de nomes como Analia Fernández Rojo (Biblioteca Nacional da Argentina), Leonor Antunes (Biblioteca Nacional de Portugal), Ana Virginia Pinheiro (Fundação Biblioteca Nacional/UNIRIO) e Eduardo Alentejo (UNIRIO). A programação também foi transmitida ao vivo através de um canal no Youtube e em informações via Facebook.

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Palestra do Professor Eduardo Alentejo (Foto: Alceu Guilhen)

Rosani Godoy, bibliotecária-chefe da Escola de Belas Artes da UFRJ chama a atenção para a relevância do evento: “Trabalho com obras do século XVII a meados do século XIX. Esse evento é muito importante, pois a descrição da materialidade do livro é algo que utilizamos rotineiramente. Ultimamente temos alguns eventos na área, mas não é comum. Acho que capacitando os bibliotecários ganharíamos mais tempo, conhecendo mais sobre como catalogar um livro raro. Seria importante outros cursos na área não apenas para os graduandos”.

Para Marcelo Cristóvão, bibliotecário da PUC-RJ, a temática do Fórum foi bastante pertinente. “Temos uma grande preocupação em relação ao acervo raro e que vai de encontro ao evento”, destacou. Já a bibliotecária do Museu de Ciências da Terra, Amanda Paula, teve como objetivo coletar informações que auxiliem na reabertura da Biblioteca do Museu. “É uma grande biblioteca que ficou fechada durante muito tempo e estamos com um projeto de identificação de obras raras e especiais”, destacou.

A individualização dos materias, através da descrição, foi um ponto importante na opinião da especialista em Gestão do Patrimônio Cultural da FIOCRUZ, Maria Cláudia Santiago. “É muito enriquecedor, principalmente quanto à individualização do item em relação a outros iguais e a própria estrutura do livro”.

Ana Virginia, integrante da Comissão de organização do FOLIAR, disse que a ideia nasceu do desejo em convidar Analia Rojo, da Biblioteca Nacional da Argentina, para ministrar um curso no Rio de Janeiro. “O Fabiano Cataldo participou de um seminário na Argentina e achou que a Analia tinha muito a dizer”, esclareceu. “Ponderei que se fôssemos investir tempo para trazer a Analia, poderíamos investir também para trazermos a Leonor [de Portugal]”.

Ana lembrou que, em relação ao processo de catalogação de obras antigas e raras em instituições do Brasil e do exterior, as dificuldades encontradas são comuns. “Observei que temos a identidade dos mesmos problemas. Com isso, a ideia foi crescendo de tal modo que ponderei sobre a necessidade de comprometermos os professores de nossa Escola. A Escola de Biblioteconomia da UNIRIO tem uma identidade com a Memória”, ressaltou.

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Ana Virginia Pinheiro fala sobre as expectativas do FOLIAR (Foto: Alceu Guilhen)

A ideia é realizar um FOLIAR a cada dois anos, garante Ana Virginia. “Pretendemos votar no tema para o próximo FOLIAR. Estou satisfeita desde o período de inscrição, pois houve uma demanda enorme de profissionais do Brasil inteiro. Tenho a expectativa de que não fique apenas como mais um evento de certificação curricular, mas que efetivamente cause uma transformação na visão do colecionismo de livros raros”.

O I FOLIAR teve como tema principal “A Bibliografia Material e Catalogação de Livros Raros, Antigos e Especiais”. Em palestra, Ana Virginia afirmou entender que as coleções ainda estão sob risco. Lembrou que a Bibliografia Material “se ocupa do livro em sua materialidade, como obra de arte”.

Analia Rojo destacou em uma de suas falas que “cada livro possui particularidades diferentes” e que a Bibliografia Material auxilia na identificação de “marcas nos impressos, posteriores ao processo criador do autor”. Leonor Antunes abordou questões como processos tipográficos e práticas de catalogação em livros antigos.

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Analia Rojo (esq.), Fabiano Cataldo e Leonor Antunes (Foto: Alceu Guilhen)

O olhar retrospectivo e a necessidade de uma gestão cada vez mais especialiazada  de toda produção que configura a memória cultural e artística, manifesta através do livro, mostra que o passado ainda tem muito a dizer no futuro. No século XXI, falar sobre raridade e antiguidade está na moda.

 

 

 

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