Acervos Especiais: memórias e diálogos

Livro enfoca coleções raras e especiais no século XXI

Fonte: Unesp

A Cultura Acadêmica Editora lança o livro “Acervos Especiais: memórias e diálogos”. Organizado por Brunno V. G. Vieira e Ana Paula Menezes, integra a Coleção Memória da Faculdade de Ciências e Letras da Unesp de Araraquara.

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No primeiro capítulo, Andre Vieira de Freitas Araujo, professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), em seu artigo “Gestão de coleções raras e especiais no séc. XXI: conceitos, problemas, ações”, expõe um ponto de vista crítico sobre a formação dos acervos que aqui nos interessam. Com a experiência de quem trabalhou na antiquíssima  – ao menos em termos americanos  – Biblioteca do Mosteiro de São Bento, em São Paulo, e com a perpicácia de um leitor/bibliotecário atento às reflexões contemporâneas sobre o tema, Araujo aponta uma série de questionamentos sobre a instabilidade dos significados e conceitos que cercam o trabalho com esse tipo de coleção.

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Acervos Especiais: memórias e diálogos: Lançamento da Cultura Acadêmica Editora .

O segundo capítulo é de responsabilidade de Ana Virginia Pinheiro, pioneira dos estudos sobre livros raros do Brasil e reconhecida internacionalmente como bibliotecária expert no assunto, professora da UNIRIO e chefe da Divisão de Obras Raras da Fundação Biblioteca Nacional, em número e qualidade do acervo, a mais importante desse tipo da América Latina. Pinheiro, em seu artigo “História, memória e patrimônio: convergências para o futuro dos acervos especiais”, apresenta, com toda sua autoridade, os critérios usados nacionalmente na definição e avaliação de coleções especiais, oferecendo de forma clara e embasada os principais elementos técnicos e legais no tratamento desse tipo de acervo.

A anfitriã Ana Paula Meneses Alves faz um relato arguto e pormenorizado sobre as coleções especiais da Biblioteca da FCLAr/Unesp, da qual é Diretora, destacando a importância de seus doadores e fornecendo os preciosos subsídios técnicos utilizados na definição e estruturação dos acervos especiais sob sua responsabilidade. No seu capítulo, ao se fixar no binômio História e Memória, a autora sedimenta os elementos norteadores de sua organização e destaca a importância de detalhe principalmente no trabalho com os acervos do sociólogo Otávio Ianni, de Yedda e Augusto Schimidt e da classicista Gilda Reale, que contêm joias das mais valiosas.

No quarto capítulo da coletânea, intitulado “UFSCar: coleções especiais em uma biblioteca comunitária”, Vera Lucia Cóscia, uma das bibliotecárias responsáveis pelo tratamento e disponibilização do “Fundo Florestan Fernandes”, apresenta um rico relato da formação do Departamento de Coleções e Obras Raras e Especiais (DeCORE) da Universidade Federal de São Carlos. Sem dúvida, o criterioso trabalho na descrição do acervo de Florestan Fernandes, um dos mais influentes e reconhecidos sociólogos brasileiros, é um exemplo para empreitadas desse tipo em que pesem o respaldo acadêmico e arquitetônico que teve na estruturação de sua biblioteca.

O caráter comunitário da BCo-UFSCAR, cuja utilização também é estendida à comunidade extra-muros, também merece destaque e deveria servir de exemplo para outras Unidades de Informação desse tipo. Tereza Cristina Oliveira Nonatto de Carvalho, responsável pela gestão das coleções especiais e de obras raras da Universidade de Campinas (UNICAMP), traz o relato mais objetivo e técnico deste livro. Baseada nos critérios de formação de seu acervo, nacionalmente reconhecidos, a autora oferece um panorama completo abrangendo considerações sobre a raridade dos livros chegando à descrição de suas principais coleções, entre as quais se destaca a do eminente historiador Sérgio Buarque de Holanda.

No sexto capítulo, último dedicado à descrição de acervos, Cristina Antunes da Universidade de São Paulo (USP), expõe em detalhes a riqueza bibliográfica e a constituição física monumental da Biblioteca Brasiliana Guita e José Mindlin que após a morte do bibliófilo foi doada à USP, que construiu um prédio de arquitetura exemplar para esse tipo de acervo. A autora, curadora da Brasiliana desde 2013, teve a felicidade de trabalhar ao lado do mais bem sucedido e afortunado bibliógrafo brasileiro, e ilustra, em rico artigo, seu largo conhecimento sobre o tema apresentando ricas reproduções de exemplares pertencentes ao acervo.

A historiadora e pesquisadora Tania Regina de Luca fecha este livro com seu texto “Biblioteca digital e o Programa Memória Social da Unesp”. Em seu relato preciso e objetivo, ela detalha a formação desse empreendimento inovador da Unesp que tem investido recursos financeiros e, principalmente, humanos (com participação de alunos de graduação e docentes pesquisadores de renome) na formação de um acervo digital de obras raras e especiais. Pormenores de como foram incorporados no novo formato acervos tão díspares como hemerotecas e partituras musicais apontam os passos firmes percorridos pela Universidade, sob a gestão e supervisão da pesquisadora, rumo a um formato, ao mesmo tempo, demandado e oportunizado pelas novas tecnologias. A parceria com instituições com sólida reputação na conservação de acervos raros e especiais, tais como Biblioteca Mario de Andrade e o Arquivo do Estado de São Paulo, assinala um caminho multiinstitucional a ser seguido por outras instituições universitárias.

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