Encadernações em pele humana: relembre descobertas

Em 2014 alguns sites repercutiram a descoberta de uma obra encadernada em pele humana. A notícia veio da biblioteca Houghton, em Harvard. O site Exame divulgou, à época, que o livro “Des destinées de l’ame” (Os destinos da alma), escrito no século 19 pelo francês Arsène Houssaye, foi incorporado ao acervo de Harvard em 1934.

Segundo Alan Puglia, da área de conservação de livros raros da universidade, os pesquisadores informaram ter 99% de certeza de que a capa do livro foi feita com pele humana. Na ocasião, foi utilizada uma técnica que identifica a presença de proteínas nos materiais.

Ainda de acordo com o site, constam no exemplar anotações manuscritas que dizem que a encadernação foi feita com pele tirada das costas de uma mulher, pois o livro tratava de aspectos sobre a alma. Por isso, merecia uma capa feita com a pele de uma pessoa.

O autor teria ofertado um exemplar ao amigo médico, Ludovic Bouland, após a conclusão do escrito. Bouland, então, encadernou o livro com a pele de uma paciente com problemas mentais que havia morrido.

Outros casos

Já a página Hypescience comentou que a prática de encadernar livros com pele humana (chamada de encapamento antropodérmico) era comum no século 17, especialmente em livros didáticos sobre anatomia. Os profissionais médicos costumavam usar a carne de cadáveres que tinham dissecado durante sua pesquisa.

O mais famoso de todos os livros com encapamento antropodérmico reside na biblioteca independente do Boston Athenaeum, segundo o site Hypescience. Chamado “The Highwayman: Narrative of the Life of James Allen alias George Walton” (Narrativas da Vida de James Allen), a obra reúne as memórias do bandido que a escreveu.

Allen ficou impressionado com a coragem de um homem que uma vez atacou, e quando estava enfrentando uma possível execução por seus crimes, pediu para que uma cópia do texto encadernada com sua própria pele fosse dada ao bravo rapaz, em 1837.

Episódios com estes corroboram a ideia de que a história dos livros e das bibliotecas está ligada ao universo simbólico representado materialmente em exemplares. Sob o olhar atento de bibliotecários curadores, outras facetas (ainda que grotescas) de nossa cultura poderão ser exploradas e redescobertas, graças ao testemunho material dos livros.

 

Foto: Reprodução.

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